Uma Noite Qualquer…
“E o que esperava?”
Não sabia bem, pensava que, como qualquer pessoa, queria sentar ao meio-fio e olhar para o céu.
Não para as estrelas, não para a lua, só olhar para cima, como se quisesse acompanhar os pensamentos, flutuando no ar. Só olhar para o longe e falar das coisas que se gosta, afinal são esses os pensamentos que aparecem nessas horas.
Sentar, olhar e falar como se não houvesse ninguém, estando com alguém. Sem temores, sem pudores.
Narrar as coisas bobas que gostava de fazer como se, segurando o outro pela mão, o levasse para passear por seus dias, a conhecer cada mania, cada Luiz, João, Paulo, Gutto, Artur que existe dentro de um qualquer garoto reservado,
ou nem tanto…
Sem vergonha, brincar de tocar violão, cantando as músicas que mais gosta, fazendo charminho, para encantar, vendo o sorriso brotar dos lábios rindo da tentativa desastrada, cômica.
Cantar, mesmo desafinado, colocando pra fora todo medo, insegurança, enchendo-se de um orgulho heróico. Sonhar acordado, sorrir e gritar para ainda mais longe esses fantasmas.
Ainda sentado ao meio-fio, sentindo a brisa parar todos os pensamentos, como se estivesse levando-os para as árvores. O olhar acompanha, para ainda mais longe, não mais no alto do prédio em frente, agora no parque quarteirões de distância.
De repente, como se não estivessem ali antes, como se acabasse de acordar de um sonho, como se o tempo houvesse parado minutos antes, ou talvez horas, algumas pessoas que caminhavam na direção para a qual olhava riam alto, e chamam a atenção.
Estão olhando em sua direção.
“É estranho, é como se não quisessem estar assim, pensando em nada...” - e ensaiando uma pergunta qualquer, para que pudesse olhar para os olhos dele, olhou em sua direção.
Ao lado ninguém estava, ou estivera. Ali somente uma garrafa de refrigerante até a metade. Nela um mistura estranha de cheiro forte.
Olhando à volta, alguns taxistas do outro lado olhavam e riam. Um outro grupo de pessoas que fumava e conversava perto também olhava.
Haviam assistido ao monólogo cheio de solidão de um ébrio, que parou ali porque já não conseguia mais caminhar sozinho.
Agora tentava levantar-se.
Sumia, reaparecendo as vezes nas luzes de um poste ou outro, aquele homem humilhado por sua frágil vontade de estar sentado consigo mesmo.
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